A intolerância petista

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Natália Vilarouca
 
Há algum tempo um artigo petista movimentou as redes sociais. O vicepresidente do PT, Alberto Cantalice, deu nome às cabeças que lideram o que ele denominou de “pitbulls da grande mídia”. Tal arrolamento ficou conhecido como a “lista negra do PT”. Dentre os nomes citados lá estava os humoristas Danilo Gentilli e Marcelo Madureira. Artistas do riso estavam numa listagem em que outros nomes poderiam figurar. Entretanto, o autor preferiu colocá-los à frente de outros denominados “menos votados”.
 
Estranho? Não. Vejamos: Para demonstrar que tal fato não deve causar estranheza é necessário lançarmos mão da obra do italiano Umberto Eco, “O Nome da Rosa”. A obra supramencionada também foi retratada nos cinemas, num filme de 1986, dirigido Jean-Jacques Annaud. A história se passa num mosteiro em que várias mortes ocorrem de maneira inexplicável. Claro que no final o mistério é resolvido. Todas as mortes foram provocadas com um único intuito: preservar um livro cujo autor era nada mais, nada menos do que o filósofo grego Aristóteles.
 
Os ensinamentos aristotélicos eram subversivos demais para o velho monge que os mantinham em segredo. O livro continha a arte do humor. A curva do sorriso, segundo o monge guardião, era demoníaca porque estimulava a desobediência e o atrevimento. Isto não deveria ser tolerado numa instituição que não abria espaço para o questionamento e se baseia no medo e submissão.
 
De fato, o humor é uma arma de comunicação potente. Escarnecer, ironizar, diminuir atinge muito mais facilmente o receptor. A mensagem torna-se mais clara. E mais: a piada sempre carrega uma verdade ou um consenso. Em suma, o humor é uma forma de retratar a realidade. Nada irrita mais o governante tirânico do que um humorista.
 
A tirania ficou latente, embora velada no artigo petista. Velada, porque o mesmo argumento foi usado: o suposto ódio de uma elite contra os pobres. Latente, porque a permanência do PT há anos no governo e a ilegitimidade de qualquer um para questionar seus programas de inclusão social foram retratados pelo articulista como “normais” e deveriam ser aceitos sem qualquer questionamento. 
 
Não é normal numa República, em que a ideia é a rotatividade do poder, uma mesma ideologia permanecer intacta por doze anos. Não é normal que programas de inclusão social gerem inflação corrosiva e seus resultados sejam mascarados por eufemismos ou palavras retóricas. Se a ala vermelha não sabe conviver com questionamentos, oposição e insatisfação, então, lidamos com verdadeiros ditadores. Se não apressarmos o passo talvez não nos reste nem o riso.
 
Natália Vilarouca é estudante de Direito
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