Requião convidou e PRC palestrou na ‘escolinha’

Pouco tempo atrás, em 2005, a relação do PMDB e do PT no Paraná era bem amistosa. Tanto que no dia 3 de maio daquele ano, à convite o então governador Roberto Requião (PMDB), o então diretor de Petrobras, Paulo Roberto Costa, palestrou na Escola de Governo, a escolinha de Requião, à respeito dos investimentos da estatal no estado. O principal investimento, contou PRC, era a ampliação da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) em Araucária – um investimento de R$ 7,5 bilhões.
 
Num corte direto para 2014, hoje tem-se Paulo Roberto Costa, o principal delator da república e que ocupa as páginas das principais revistas, jornais e noticioso do país. Preso na PF no Paraná, PRC, ou Paulinho como ex-presidente Lula o chamava, é apontado como coordenador da captação de dinheiro ilícito para campanhas petistas e de aliados (como o PMDB) e também participante ativo do esquema de lavagem e desvio de R$ 10 bilhões de dinheiro público. No Paraná, as campanhas (2006, 2008, 2010 e 2012) de petistas e aliados, desde a palestra de Costa na escolinha de Requião, estão sob suspeita de serem financiadas com dinheiro movimentado pelo ex-diretor da Petrobras.unnamed (7)
 
Mas o caso da Repar, que vem á tona na esteira do escândalo de PRC, não é de agora. Desde 2009, as obras de ampliação da refinaria, embargadas duas vezes pelo Tribunal de Contas da União, mas liberadas pelo ex-presidente Lula, são alvo da Polícia Federal. Em outubro de 2011, a revista Época relatou que corria, em segredo de Justiça, desde fevereiro daquele ano, o inquérito policial que investigava as suspeitas de superfaturamento e uso de recursos desviados em caixa 2.
 
A reportagem, dos jornalistas Andrei Meireles e Murilo Ramos, informava que a PF investigava cinco contratos de reforma da refinaria que somam R$ 7,5 bilhões. Segundo um relatório do TCU, os preços nesses contratos, firmados com sete consórcios de empreiteiras, estão R$ 1,4 bilhão acima do valor de mercado. As construtoras Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS e Mendes Júnior, todas doadoras de campanhas eleitorais, eram as principais beneficiadas. A PF procura ligação entre esses valores supostamente recebidos a mais e as doações.
 
Em 2009, o TCU recomendou a suspensão das obras. A recomendação foi atendida pelo Congresso Nacional, que, na votação do Orçamento de 2010, cancelou os repasses de recurso para a ampliação da refinaria, mas a suspensão foi vetada pelo presidente Lula que, em 2010, inaugurou parte da obra.
 
“Se querem investigar, que investiguem. Mas não vamos paralisar uma obra tão importante por conta de uma diferença mínima entre os métodos de contratação da Petrobras e as exigências do TCU”, disse Lula na ocasião. Em nota, na época, a Petrobras afirmava “a companhia afirma que não há superfaturamento, sobrepreço ou qualquer outra irregularidade nas obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas”.
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